quarta-feira, 15 de setembro de 2010

#4

Lembra que na semana passada falei de um livro do Nick Hornby que eu tava doido para ler?! Pois então, tá aí, “Um grande garoto” é o título da semana. Mas isso só porque li o livro e vi o filme. Se tivesse encarado só um deles provavelmente a foto aí do lado seria do “Maus”, do Art Spiegelman.

Mas vamos lá, além desses dois, nessa edição vou falar também do “O conto da ilha desconhecida”, do José Saramago, e dos livros “Ah, é?” e “99 corruíras nanicas”, do Dalton Trevisan. Como já deu para perceber, essa será uma edição praticamente só de livros.

Todo mundo conhece José Saramago, todo mundo respeita José Saramago, todo mundo idolatra José Saramago, e agora, depois que ele morreu, tudo isso aumentou. Só não virou santo porque a igreja católica não tem nada a ver com isso. Na real até tem, mais isso não vem ao caso. O que eu quero dizer é que se até hoje você não leu um Saramago, O conto da ilha desconhecida é o livro ideal para começar. Tenho três bons argumentos para justificar minha afirmação: (1) o livro é super bacana, tem capa dura e umas ilustrações que não fazem muito sentido (ou fazem e eu não entendi nada?). (2) é escrito com espaçamento duplo, fonte tamanho 14 e só tem umas 90 páginas! (3) como é bem pequeno, tem espalhado em vários blogs e sites por aí.

O conto da ilha desconhecida foi publicado originalmente em 1997 e tem todas as características marcantes do autor. Críticas a sociedade em forma de metáforas sempre criativas e originais, parágrafos longos e uma pontuação absolutamente pessoal, como se estivesse narrando oralmente toda a história. Se você resistir e gostar disso tudo, então pronto, está preparado para cair de cabeça nas belas obras de Saramago e se tornar mais um de seus vários admiradores.

Vocês (olha como eu tô metido, já falo no plural) precisam ver como Curitiba fica deserta quando rola um feriado prolongado. Toda a galera desce para a praia. Não sobra nada, ninguém. Foram nessas condições que entrei na onda do Trevisan e li 99 corruíras nanicas e Ah, é?. Eu já não sei mais quais livros dele são coletâneas e quais são de material inédito. Na real, eu nunca soube. Todo que livro do Trevisan que leio tem pelo menos um conto que já li em algum outro lugar. Não que eu tenha lido muitos, só uns quatro ou cinco dos mais 40 publicados até hoje, mas essa sensação tá sempre presente.

Esses dois que li dessa vez são bem parecidos. Contos bem curtos e temas parecidos. Eles falam basicamente sobre amor, sexo, crianças, pássaros, velhos e morte. Às vezes, em um ou outro conto, tenho a impressão que ele deixa escapar um desabafo, uma coisa mais sincera e real, mas na maioria das vezes esses aí são os assuntos abordados mesmo. Não que isso seja ruim. Desde a época do colégio, quando lia os livros selecionados para o vestibular, já cultivava uma admiração pelo trabalho do Dalton. Mas só depois que mudei para Curitiba é que entendi melhor o jeito particular e, porque não, diabólico, que ele tem de enxergar e idealizar a capital paranaense.

Desde aquela edição em que tive vontade de ler algo em quadrinhos venho procurando um bom livro no estilo, até comprei um pela internet, mas ele não chegou. Aí, nessa ansiedade toda, um amigo me emprestou um exemplar com a história completa de Maus, do Art Spiegelman. Não sei muito bem o que dizer, pois, apesar de ser relativamente simples, acho que ainda não digeri completamente. Mas já digeri o suficiente para colocar na minha lista imaginária de “puta livro fodido que vou indicar para meus amigos”, por mais que seja chato esse lance de ficar indicando livros por aí.

Mas saca só o potencial: Maus conta, em quadrinhos (como eu já disse), a história de como Vladek Spiegelman, judeu polonês e pai do autor, sobreviveu ao Holocausto e quais foram as consequências disso no seu relacionamento com a família. E aí, para dar uma quebrada nessa onda biográfica dramática, Art, ironicamente, transforma todos os personagens em animais, de acordo com suas nacionalidades. Se por acaso isso tudo que eu disse não pareceu interessante o suficiente, ignore e fique só com a parte em que digo que é ótimo.

Como já disse, Um grande garoto foi o título dessa edição. O livro é muito bacana. Tem todas aquelas características legais do Nick Hornby, como suas várias referências ao mundo pop e personagens que, de alguma forma, refletem um pouco da sua própria personalidade. Tudo isso em uma linguagem simples, rápida e, mais importante do que tudo isso, bem humorada. Sacou? O humor. Isso é legal. Hornby é um cara que consegue te fazer rir de verdade. Não é daquele tipo que você lê algo e pensa “é, divertido”. Um grande garoto te faz rir de um jeito que você consegue ouvir sua própria risada. E isso sim é bacana.

Nem sabia que existia o filme, aí me falaram que tinha um e eu fui lá e assisti. Sabe, não é ruim. É quase tão divertido quanto o livro e tudo mais, mas, como em quase todas as adaptações do mundo, o livro é melhor. Às vezes eu acho que eles fazem isso de propósito. Outra coisa que me incomoda é a mania besta de querer mudar a história. Tem alguma explicação lógica para isso? Sabe, por que mudar os personagens, o contexto e até os detalhes? Eles trocaram Kurt Cobain por um rapper que eu não lembro o nome, e, pior de tudo, substituíram a frase “eu odeio a Joni Mitchell, caralho” por uma citação qualquer do Jon Bon Jovi! Não faz muito sentido isso, faz?

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

#3

Na semana passada eu disse que nessa edição ia escrever sobre música. E eu até vou, os livros que li foram sobre música, o filme que eu vi foi sobre música, tudo nessa edição é sobre música!, mas olha, vou falar uma coisa, isso foi chato. Passei os últimos dias me segurando para não começar a ler um livro do Nick Hornby que descolei na biblioteca. Quando, por um descuido, pegava ele na mão, minha consciência falava “não, cara (sim, ela me chama de cara), você ainda não terminou aquele outro sobre o Chico”. Maldito Chico! E olha que ele nem foi o meu maior problema.

Mas, tudo bem. Olha só, nessa edição, eu vou falar dos livros “Chico Buarque – História das canções”, “10 anos de Goiânia Noise – Em terra de cowboy quem toca guitarra é doido” e “Rock, nos passos da moda”. O filme da vez é o “Uma noite em 67” e o disco, “Escaldante Banda”, do Garotas Suecas.

Depois de fazer a promessa besta da semana passada eu corri para a biblioteca para procurar alguma coisa sobre música. Me surpreendi quando achei na prateleira o livro 10 anos de Goiânia Noise, do Pablo Kossa. O Goiânia Noise é, provavelmente, o maior festival de música independente do país e todo ano eu planejo uma viagem frustrada para curtir alguns shows por lá. Quando o livro foi lançado, em 2005, (em homenagem aos 10 anos do festival, comemorados no ano anterior) eu fiquei afim de ler, mas assim como tantos outros títulos, fui deixando para depois. Enfim, o fato é que dessa vez eu encarei.

Tudo bem, o Pablo Kossa não é dos melhores escritores que eu já li, e pô, desculpa, mas ao contrário do que o Alexandre Petillo escreve no seu prefácio emocionado, eu duvido que o livro chegue a sua 145ª Edição. Na real, até seria legal uma segunda, com uma nova revisão. Nessa têm alguns errinhos e tudo mais. Mas não é sobre isso que eu quero falar. Eu quero falar de como foi legal ler sobre o Goiânia Noise. Sabe, eu imaginava que o festival era muito maior do que aquilo que encontrei no livro. Conheço os perrengues e todas as dificuldades que um festival independente nacional enfrenta, mas achei que eles já tinham passado por essa fase de tantos imprevistos. Na real, acabei com a impressão de que nunca rolou uma edição 100%. E, pô, se mesmo assim ele já faz todo esse barulho, imagina quando rolar a primeira!

Foi depois dessa leitura simples e rápida que eu comecei a travar minha batalha contra o pós-doutor Tupã Gomes Corrêa (ou Victor Aquino, parece que depois de um tempo ele mudou seu nome). Seu livro, Rock, nos Passos da Moda tem um primeiro capítulo cheio de parágrafos esquisitos e desinteressantes que me custaram uns dois ou três dias. Até cogitei abandonar, mas os capítulos seguintes foram mais legais e abordaram exatamente o que eu esperava deles: uma discussão sobre o rock, a moda e a cultura de massa.

Corrêa, entre outras coisas, usa como exemplo os movimentos punk e hippie para discutir como gêneros musicais, surgidos como uma forma de protesto, perdem seu sentido quando são integrados na produção em série da indústria cultural. Claro, o livro foi publicado em 1989, portanto, tem alguns equívocos, mas nada que altere o resultado final. Eu fiquei imaginado o que Tupã diria sobre o Restart e sua loja virtual que vende até as calças que a banda usa.

O Chico - A história das canções, do Wagner Homem, eu ganhei de aniversário, em fevereiro. Na época li algumas páginas, mas achei meio cansativo. O esquema é assim: tem a letra da música e depois um comentário, contexto histórico ou até uma curiosidade sobre a canção. Ficou mais divertido de ler quando consegui a discografia do Chico Buarque. Mas ainda assim deu pra enjoar. O livro foi feito para um público específico, os chicomaníacos, e a impressão que eu tive é que, o Wagner Homem, sendo um deles, escreveu para causar inveja nos outros. É sério, ele fica tentando se colocar na história, contando coisas desnecessárias como seus encontros, e-mails e sei lá o que mais com o músico.

Nesse meio tempo um site gringo divulgou o disco Escaldante Banda, da banda paulista Garotas Suecas. Depois de, no ano passado (ou 2008, eu não tenho certeza), lançar um EP muito elogiado, eles se transformaram em um dos nomes mais comentados no país e o disco de estréia se transformou em um dos mais aguardados do ano, segundo a imprensa especializada na música independente nacional (se é que existe uma).

Assim que saiu eu ouvi, e como esperava, não achei nada de novo ou inovador. Mas isso não faz do Escaldante Banda um álbum ruim, muito pelo contrário. O disco é muito bacana e entraria fácil na minha lista de melhores discos independentes brasileiros do ano, caso eu tivesse uma. O som da vez da banda é baseado no funk soul brasileiro da década de 70, como Tim Maia, Toni Tornado, Hyldon, Gerson King Combo e, porque não, Roberto Carlos. Praticamente uma década de evolução em relação ao primeiro registro fonográfico da banda (aquele que tinha Corina e Efervescente) que tinha nitidamente influências 60’s como Beatles e Jovem Guarda.

Antes de fechar o conteúdo dessa edição eu resolvi ir no cinema. Descobri que aqui perto de casa tava passando Uma noite em 67, um documentário do Renato Terra e do Ricardo Calil que conta a história do III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record. Sempre pirei no ano de 1967. A produção musical foi intensa e gerou ótimos discos em vários países. No Brasil, com ditadura militar e um movimento estudantil exigente, não foi diferente.

O filme retrata um pouco disso, os jovens, as vaias, as ideologias, os artistas e a nova cara da música brasileira da época. Mas além disso, o longa mostra também como os diretores da Record só viam o festival como um programa televisivo, e revela que foi o público fervoroso que transformou o evento em algo tão grande e importante na história da MPB. E falando em reação do público, preciso confessar que foi emocionante ver Edu Lobo sendo ovacionado enquanto tocava pela primeira vez Ponteio, a música vencedora daquele ano. Quase tão legal quanto ver a revolta de Sérgio Ribeiro, que de tão vaiado, desistiu de se apresentar, quebrou o violão e arremessou na galera.

Cara, se você gosta dessa galera dos festivais, de MPB, ou apenas se interessa pela história da música brasileira, dá um jeito de ver o filme. É realmente legal, tem entrevistas com Chico Buarque, Edu Lobo, Caetano Veloso, Roberto Carlos e muito mais. E, pô, tente ver no cinema, é mais divertido. Na minha sala tinha um senhor solitário que sempre ria das vagarosas frases do Gilberto Gil.

domingo, 22 de agosto de 2010

#2

As coisas não funcionaram como eu previa desde a publicação da primeira edição dessa coluna. Queria manter o ritmo leitura, aumentar o número de filmes e ouvir a maior quantidade de discos possíveis, mas não foi bem isso o que aconteceu. Li pouco, não ouvi nenhum disco novo e vi apenas um filme (fora aqueles que passam de madrugada na Globo). Esse descaso tem um motivo: Recentemente eu comprei um videogame.

Tive um professor na época do colégio que sempre dizia “é impressionante como tudo fica mais legal quando a outra opção é estudar”. Se ele tivesse um videogame, provavelmente não teria virado professor. Não estou comparando os títulos dessa coluna com estudos escolares, só estou justificando como gastei boa parte do meu tempo nos últimos dias.

Mas, vamos lá, nessa segunda edição comentarei os livros “Cineclub em Quadrinhos”, “Para Alto e Avante” e o indiscutível clássico “On The Road”. Também vou falar do filme nacional “É Proibido Fumar” e claro, de videogame. Não será nessa ordem específica, comentarei na ordem em que elas aconteceram, afinal, uma coisa leva a outra.

Depois de ler o livro do Hornby eu fiquei afim de ler sobre quadrinhos e cinema. Como não me sobrou muito dinheiro depois da aquisição do videogame, fui para a biblioteca. E cara, como gosto de bibliotecas. Me sinto em uma livraria podendo escolher qualquer título sem precisar olhar o preço. Trago todos para casa, deixo em cima da mesa, leio tudo com calma e, no final, nem preciso me preocupar em achar um lugar definitivo na estante, que por sinal, eu não tenho.

Tá, voltando ao assunto. Lá na biblioteca o primeiro livro que achei foi o Cineclub em Quadrinhos, do Nielson Ribeiro Modro. Ele nada mais é do que uma história em quadrinhos que explica como funciona o Cineclub, um projeto do Rio Grande do Sul que ensina e incentiva o uso de filmes em aulas de ensino fundamental. O livro é bem simples e até meio óbvio, mas não deixa de ser interessante. Se você for professor então, ó, batata! (nunca entendi essa expressão). Ao longo das ilustrações, Modro explica qual é o melhor jeito de exibir o filme para a criançada, dá dicas de algumas obras e ajuda a conciliar ela em várias matérias escolares. Se meus professores tivessem lido o Cineclub, provavelmente minhas aulas fossem mais interessantes e eu não teria dormido tanto (não que eu me orgulhe ou os culpe disso).

Em seguida li Para o Alto e Avante, de Iuri Andreas, que é, como o subtítulo já diz, uma “análise do universo criativo dos super-heróis”. Andreas, pelo que entendi, produziu esse estudo em paralelo ao seu mestrado em Teologia e tinha como pretensão aliviar um pouco a barra dos leitores de quadrinhos (tá, aposto que é um pouco mais complexo que isso, mas defendo minha teoria sincera).

Por vários motivos, não me sinto muito confortável comentando um texto acadêmico, mas o trabalho de Iuri é diferente, ou pelo menos ele lutou muito para ser. Encarei o livro por esperar uma leitura divertida, instrutiva e descontraída. Não encontrei isso, ou pelo menos todas essas características juntas. A produção de Andreas é confusa e muitas vezes ingênua. Em certos momentos não sabia se o que eu estava lendo era sobre o universo fictício dos super-heróis ou se era sobre a nossa sofrida realidade cultural. Além disso, o texto é muito repetitivo. Tem um capítulo de duas páginas e meia que deve ter, no mínimo, 37 vezes a palavra “mito”. De qualquer forma, Para o Alto e Avante tem seus bons momentos, como a contextualização dos quadrinhos e super-heróis nacionais. Ali dá para sentir sobre o que o autor realmente gosta de escrever.

Foi nessa sequência acadêmica que o videogame cresceu na minha rotina diária. Ele era muito mais divertido, emocionante e interativo, principalmente agora que dá pra jogar online com alguém absolutamente desconhecido de qualquer canto do mundo. Não consigo descrever a sensação de ganhar de um argentino por 3x2 de virada.

Como deu para perceber, tenho uma queda por jogos de futebol. Passei alguns dias decidindo o qual era o melhor jogo, FIFA ou o PES. E, não sei se te interessa, mas, entre os dois, atualmente, eu fico com o FIFA. Sempre joguei PES, mas depois do FIFA ele já não tem tanta graça. Parece mais fácil, mais simples, não sei explicar. Se você for daqueles viciados que compram revistas e sabem todos os dados técnicos, por favor, deixe um comentário aí embaixo. Já foi complicado o suficiente para mim, escolher entre um Xbox e um PS3.

Enfim, para fugir das tentações do videogame eu precisava de um livro interessante, com uma linguagem espontânea e que me prendesse na leitura. Foi assim que eu comecei a ler On the Road, do Jack Kerouac. Eu não sei por que as pessoas, assim como eu, vão adiando a leitura dele. On the Road é, como todo mundo sabe, uma obra fantástica, cheia de referências legais e fundamental na compreensão da história da cultura pop e seus mitos. Por exemplo, dizem por aí que foi depois de ler ele que o Bob Dylan pegou suas coisas e saiu de casa. E só pode ser verdade. Não que eu seja um Dylan e coisa e tal, mas, porra, eu fiquei uma semana me segurando aqui em casa para não pegar uma mochila e sair andando e pedindo carona por aí. Se as coisas fossem tão fáceis como no livro (peguei meus 10 dólares, comprei um maço de cigarro, uma garrafa uísque, um sanduíche, enchi o tanque do carro e continuei minha viagem com apenas um dólar no bolso) eu acho que encarava. Na real, até deve ser fácil, eu que sou bundão demais para isso.

Para fechar a coluna eu precisava ver pelo menos um filme, então, aleatoriamente, escolhi o nacional É Proibido Fumar, que foi escrito e dirigido por Anna Muylaert e recebeu vários prêmios esse ano. O longa tem uma fotografia muito bacana, é divertido e me agradou muito. As várias cenas engraçadas - como a discussão entre Paulo Miklos e Glória Pires sobre quem seria melhor, Jorge Ben ou Chico Buarque – deixam leve o conflito central que envolve o cigarro e um assassinato. A música, por sinal, está presente em vários momentos. Ambos os protagonistas são músicos, (eu também tinha escrito um comentário sobre o Titãs e o Fábio Jr., mas achei melhor apagar) rolam várias participações especiais como Pitty e André Abujamra e tem até uma cena da Glória Pires se depilando com uma camiseta do Chico Buarque que entraria fácil para as T-Girls do Trabalho Sujo (olha a dica aí, malandro). De uma forma geral, É Proibido Fumar até me lembrou o primeiro longa da diretora, o clássico obscuro nacional Durval Discos. Resumindo, eu gostei tanto que até prometi para mim mesmo que na próxima edição vou dar uma atenção maior para a música.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

#1

Para essa primeira edição da coluna eu li vários livros, vi vários filmes e ouvi vários discos. Mas se pensar bem, foi tudo uma farsa. Sabe, como não tinha uma data específica para publicar, fui juntando tudo o que o que consumi nas últimas semanas. Mas e nas próximas? Ficaria chato publicar uma primeira coluna com 50 títulos e, em uma segunda edição, publicar apenas cinco. Sabe o que eu fiz? Escolhi só uns cinco para essa também (ou você acha que eu aguento 50 por edição?).

Então hoje vou falar sobre os filmes nacionais Besouro e A Festa da Menina Morta, o disco de estréia da banda Do Amor, o livro O Doce Veneno do Escorpião da Bruna Surfistinha (calma, eu posso explicar) e, claro, o Frenesi Polissilábico do Nick Hornby.

Besouro foi muito comentado no Brasil, provavelmente pela idéia um tanto quanto inovadora do filme: Uma espécie de herói que domina uma arte marcial tipicamente brasileira, a capoeira. Ao mesmo tempo em que informa o público com dados históricos sobre a luta e a sua importância na cultura do país, Besouro também cria uma atmosfera típica de filmes de ação hollywoodianos no melhor estilo sessão da tarde. Além dos problemas nítidos de edição e montagem, o lance é que os atores são ruins. A impressão que dá é que pegaram ótimos lutadores de capoeira, fizeram um curso básico de atuação e boa, mandaram rodar o longa. Espero que o protagonista, Aílton Carmo, não se torne um Jackie Chan ou, sei lá, o Bruce Lee nacional. Tá, eu peguei pesado. Enfim, o filme tem seu valor inovador, mas acho que é só isso.

Esses dias, durante uma aula, um professor comentou a importância de Dira Paes no cinema nacional. Fiquei pensando em quantos filmes já vi com ela e quantos faltariam para eu completar sua filmografia. Faltam vários. Mas um dos que eu ainda não tinha visto me chamou a atenção pelo nome: A Festa da Menina Morta. Já tinha ouvido falar, só não lembrava o quê, então fui lá e assisti.

A idéia central do longa é bem interessante. Um santo vivo, os milagres, a festa em comemoração a ele e como isso afeta sua vila, cidade ou seja lá o que for aquilo. Mas o filme é daqueles pesados, cheios de cenas cansativas e desnecessárias. E olha que eu nem tô falando do incesto homossexual divino. Eu tô falando é da galinha degolada, dos 15 minutos de porco gritando, dos vários segundos de enquadramentos sem sentido e, claro, do afogamento no rio sujo do tal porco gritão. Confesso que pausei várias vezes o filme. Uma dessas pausas durou cerca de uma semana! Só dei uma nova chance quando descobri que A Festa da Menina Morta era a estréia como diretor e roteirista do Matheus Nachtergaele, um dos meus atores nacionais preferidos.

A nova chance durou mais uns 20 minutos. Eu não consegui terminar. Eu não aguento mais A Festa da Menina Morta. Então ó, se você já assistiu e acha que o filme tem um puta final genial, me avise. Eu juro que tento mais uma vez.

Conheço a banda carioca Do Amor há algum tempo, algo como um ou dois anos. Acho que nunca saiu um material fechado, como um disco e tal, só algumas músicas soltas. E confesso que não gostava dessas músicas. Recentemente o grande assunto do twitter (ou pelo menos das pessoas que eu sigo) foi o “vazamento” do disco de estréia homônimo da banda. Relutei um pouco, mas fui convencido a ouvir depois dos vários elogios que li.
O disco é bacana. Tem um swing próprio, criado depois de uma mistura louca de vários estilos musicais como rock, indie, axé e até carimbó. Tem muita gente dizendo que esse é um daqueles discos unânimes nas famosas listas nacionais de “melhores do ano”. Eu não duvido e, se a produção musical do país continuar nesse ritmo até o final do ano, Do Amor também entra na minha lista.

Li O Doce Veneno do Escorpião, a autobiografia da ex-garota de programa Bruna Surfistinha, por dois motivos: (a) você deve saber que o livro vai virar filme, mas essa semana eu assisti um trailer, com trilha do Cansei de Ser Sexy, que rolava uma cena da Deborah Secco dançando seminua e (b) esse é um daqueles livros que você lê em 40 minutos. É importante ressaltar que um motivo é inútil sem o outro. Por exemplo, se rolasse uma cena de sexo explícito da Deborah Secco, com trilha sonora, sei lá, do Velvet Underground, mas se o livro tivesse 500 páginas, eu dispensava a leitura tranquilamente. Provavelmente o filme não.

Durante as 168 páginas, o livro muda de propósito várias vezes. Vai de autobiografia (com a vida da Raquel) a auto-ajuda (com dicas sexuais da Bruna), passando até por páginas e mais páginas de curiosidades e bizarrices sexuais. O estilo meio ingênuo é muitas vezes duvidoso. Não consegui entender o que a autora queria que eu, ou qualquer outro leitor, pensasse sobre ela.

Frenesi Polissilábico, do Nick Hornby, é uma coletânea de críticas literárias que o autor, originalmente, publicou na revista Beliver. Se você leu o editorial desse blog pode imaginar o quanto gostei. Esse é um daqueles livros que vou indicar para todo mundo, dar de presente em aniversários, natal e essas coisas todas (se você é meu amigo, se prepare e não reclame). Ele é interessante, divertido e envolvente. O único problema em lê-lo é que sua lista de “livros que pretendo ler” vai aumentar consideravelmente. Se não me engano, o único livro resenhado por Hornby que li, foi o “Crônicas” do Bob Dylan. Culpa dele, que não conhece a Bruna Surfistinha.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

aquele editorial

Já faz tempo que quero criar o S2. A idéia é escrever sobre discos, livros, filmes, videogame, pornografia, ou seja, tudo que envolve cultura pop. O nome é uma piada sem graça com a Família Restart e todas as pérolas virtuais que eles conseguiram criar em tão pouco tempo de existência. E também, fazer uma referência a frase “eu gosto mesmo é de pornografia” que sempre uso nas descrições de perfis virtuais e que, pensando agora, nem faz muito sentido. Tá, tudo bem, é chato, mas eu avisei que era uma piada sem graça. A grande verdade é que eu não tenho muita criatividade, aí, pensei nesse nome e fiquei com preguiça de escolher outro.

Enfim, montei o blog agora porque acabei de ler o Frenesi Polissilábico do Nick Hornby. Na maior cara de pau, decidi meio que copiar o cara. É claro que não vou conseguir, afinal ele é bem mais legal do que eu, lê muitos mais livros, recebe por isso e escreve muito melhor. Tá, ele deve ter milhares de outras vantagens, mas eu só consegui me lembrar dessas nesse momento. Mas o plano é esse, de tempos em tempos vou postar uma coluna no melhor (ou pior) estilo crítica cultural opinativa e tendenciosa.

Eu bem que podia fazer isso no Espora de Galo, meu outro blog, mas aí, além de perder a identidade duramente conquistada de 3 ou 4 linhas por post, ia também perder os poucos leitores preguiçosos. Como você já percebeu, as coisas aqui serão um pouco mais longas e também, um pouco mais chatas.

Bom, é isso. Logo mais, amanhã talvez, posto a primeira edição dessa coluna. Espero que goste.